MNDH pede transparência no caso de presos cubanos PDF Imprimir E-mail


Em acordo que envolveu a Espanha e a Igreja Católica, Cuba comprometeu-se a libertar 52 presos – ditos políticos ou de consciência – que puderam e podem viajar para o exterior.

Ainda cercada de certa desconfiança, a medida está sendo saudada como um indicativo de mudança no regime cubano.

Inicialmente, os sete presos recém soltos que chegaram à Espanha, semana passada, elogiaram os esforços espanhóis e da Igreja Católica, mas esta semana já começam a fazer críticas e a pedir que a União Européia mantenha o bloqueio à Cuba.

“E mais do que isso, diz Gilson Cardoso, coordenador nacional do MNDH. Esse grupo está se aproximando dos oposicionistas espanhóis para pressionar não apenas a Espanha mas a Europa para que mantenha o bloqueio a Cuba”.

Cardoso lembra que não apenas o MNDH, “mas parte considerável dos movimentos sociais brasileiros são contrários ao bloqueio a Cuba, que perdura há décadas e traz imensas dificuldades ao povo cubano”.
“Temos de entender esse gesto do governo cubano, intermediado pela Espanha e pela Igreja Católica como um novo momento na relação de Cuba com o mundo e com o seu povo”, diz Cardoso.

O secretário-assistente de Estado dos EUA, Philip J. Crowley disse aplaudir “o gesto porque aponta num sentido que deveria ser o certo”. Vale lembrar que a iniciativa pelo boicote a Cuba (há quase 50 anos) partiu dos norte-americanos.

O jornalista e escritor norte-americano Jon Lee Anderson (autor de "Che - Uma Biografia) considera a libertação de prisioneiros  “importante e promissora por razões humanitárias, diplomáticas e políticas. Não importa que outros cálculos possam ter sido feitos, Raúl Castro está fazendo o primeiro movimento, para o qual espera um gesto recíproco dos EUA - como disse em 2008, quando falou de "gesto por gesto", no caso dos prisioneiros”.

Anderson também lembra da atuação da Igreja Católica: “a segunda vez em anos recentes que os Castro transformam a Igreja em intermediário. É seguro dizer que a Igreja seguirá tendo importante papel no tema e em outros”.

O escritor norte- americano, no entanto, é cético com relação aos EUA levantarem o embargo a Cuba: “é altamente improvável; ele poderia soltar os cinco cubanos - os espiões cubanos que estão em cadeias norte-americanas desde que foram presos em 98”.

O jornal conservador espanhol, El País disse que a soltura dos presos por Cuba "é o passo mais sério que deu o governo nos últimos 50 anos, em busca da concórdia nacional, e pode abrir uma nova etapa".

Preocupações

Julia Sweig, diretora de Estudos Latino-Americanos do Council on Foreign Relations, procurou minimizar os efeitos da soltura dos presos políticos, dizendo que, "apesar dos recentes holofotes, dissidentes e presos políticos não estão no centro de um debate bastante substancial que ocorre hoje em Cuba".

“O que de fato preocupa os cubanos são as reformas do Estado, social, institucional, educacional e econômicas atualmente à mesa de discussões", diz Sweig.

“De qualquer maneira, finaliza Gilson Cardoso, trata-se de um avanço importante, especialmente para trazer para a discussão internacional a questão do bloqueio econômico e do avanço da democracia não apenas na América, como em todo o mundo. Vamos continuar acompanhando todos os movimentos relativos ao caso. Queremos acreditar que de todas as partes os gestos sejam transparentes e de boa vontade, de que exista real interesse no respeito aos direitos humanos.”

 
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